A Bondade dos Estranhos

Nós temos um imenso poder dentro de nós: o de fazer bem e de fazer mal.
A maneira como escolhemos usar esse poder, tem a capacidade de transformar completamente o dia de um estranho.

Hoje fui almoçar a casa da minha mãe e fiquei de passar na churrasqueira, para levantar as costelinhas, arroz e salada que ela tinha encomendado pelo telefone.
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Quando me aproximei do balcão para pagar, ao meu lado ainda estava a senhora que tinha sido atendida antes de mim: uma senhora a entrar nos seus 80 anos, "nos trinques", bem maquilhada, de saia-casaco, uma Margareth Thatcher com açúcar. Muito açúcar.

A senhora "Thatcher", quando acabou de arrumar os trocos no porta-moedas, olhou para mim e, de sobrancelha levantada, disse "olha que cara tão linda! Que cara bonita".

Um sorriso imediato, completamente babado e de orelha a orelha, rasgou-me a cara e agradeci.
Ela não estava com pressa.

"Já viu Sr. João, que cara tão bonita! Muitos parabéns menina e muitas felicidades."

Agradeci a simpatia da senhora, desejei-lhe também muitas felicidades e fiquei mergulhada no ego, a sentir o meu coração quente e inchado.

O Sr. João, o dono da churrasqueira, explicou-me que a senhora é um doce, uma querida, que vai lá todos os dias comprar duas sopas e que é uma simpatia de cliente.

Eu quando for grande quero ser assim.

Uma pessoa, que pára, olha em volta, e decide gastar algum tempo e arriscar o contacto com outro ser humano, para fazer um elogio que parece, verdadeiramente sentido.

Eu quero ser como esta Srª Thatcher Doce e usar o meu poder para o bem.

Tornar o dia de um estranho - ou um de conhecido - mais feliz é fácil, rápido e grátis.

Há todo um movimento dedicado aos actos de bondade aleatórios - random acts of kindness
Há quem os faça todos os dias, todos os meses, só no dia dos anos (tantos quantos os anos que se faz), ou apenas quando apetece.

Qualquer acto vale:
- fazer um elogio
- deixar uma mensagem positiva na mesa do café / no vidro de um carro
- pagar o café à pessoa que venha a seguir
- deixar alguém passar à frente numa fila
- ...

É só preciso o "risco" de nos relacionarmos com outro ser humano e espalhar felicidade.

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