Auto-conhecimento: 5 Epifanias e 1 Retiro

Aqueles que por aqui estão habituados a passar, sabem que eu gosto de tudo o que promova o auto-conhecimento. Conhecermos este ser estranho que somos nós, é um processo contínuo. Não há workshop que nos dê a resposta, nem fórmula que permita calcular quem somos, para onde vamos.

O processo é contínuo porque estamos sempre em constante mudança. Por isso é importante, de vez em quando, parar para reflectir sobre nós próprios.

Este kit é para aqueles que têm dificuldade em parar, por terem vidas muito stressadas, sempre com imenso para fazer... Deve ser colocado numa parede. Bata com a cabeça dentro do círculo. Repita até estar destressado ou inconsciente.



Há uns dias, como prometido, segui as indicações do site 50 ways to get a job e testei uma das ferramenta de auto-conhecimento aconselhadas por eles.


O Retiro
Como indicado pelo site, fui para um sítio isolado, no meio do monte (mas numa casa de turismo rural que, já não tenho espírito de campista).
O auto-isolamento durante dois dias, ajudou a perceber algumas coisas.
Tive algumas epifanias, que partilho aqui convosco por achar que o mundo tem défice de honestidade.
Espero que este desnudar da alma vos ajude de alguma forma.



Epifanias 
(por ordem de revelação):

1. Viver isolada no meio do monte não é para mim
Ás vezes, tinha a fantasia de largar tudo e ir para uma aldeia remota, como é agora moda, começar uma vida nova. mais calma e tranquila.
Ainda bem que não pus esse plano em marcha, porque ao final do 1º dia do meu super retiro já andava às compras em Guimarães e em Braga.
Não sou menina de grandes confusões, mas também não sou de coração rupestre.
Para calma e tranquilidade, existem os spas com as suas massagens fantásticas e, se eu sou alérgica às gramíneas, por algum motivo será.



2. Não gosto da área na qual estou inserida profissionalmente.
Contexto: depois de acabar o curso de Comunicação Social e de alguns estágios em tv e cinema, "caí" na área do marketing e comunicação institucional.
Já trabalhei em várias instituições de renome, mas ao fim de alguns - poucos - meses, acabo sempre por ficar saturada de onde estou e do que estou a fazer.
Até há bem pouco tempo, estava convencida que o problema estava nas instituições e no modo como são geridas e que se fosse um outro tipo de instituição, as coisas seriam bem diferentes. Com esta expectativa trabalhei,
no sector público > numa IPSS > numa ONG > no sector privado.
Já não há mais formatos para experimentar!
Chega então de culpar as empresas. Preciso de reinventar aquilo que faço e fazer o que me apaixona.



3. Sou demasiado crítica de mim própria e consequentemente, dos outros
O que para mim é surpreendente, uma vez que tenho uma auto-estima elevada. Diz-me quem sabe, que uma coisa não tem a ver com a outra. A crítica é interna e a expressão da auto-estima é externa e pode até ser um mecanismo de defesa.
O que acontece com esta crítica é que, quase sem dar conta, descaio muito facilmente num discurso mental de ataque a tudo e a mais alguma coisa: roupa, cabelo, cara, acções...
Isto definitivamente não traz calma, nem tranquilidade, que são dos grandes objectivos a atingir.



4. A voz crítica interna não é a minha
Não, não me diagnosticaram esquizofrenia.
Salvaguardo que quando falo de vozes mentais, me refiro aos discursos que todos nós temos constantemente a decorrer na nossa cabeça e não à menina da Casa dos Segredos, que ouvia vozes na cabeça e não percebia o idioma em que falavam...
A separação da voz não ser minha, tem a ver com o ambiente e as pessoas que nos rodeiam desde sempre e cujas opiniões estão por vezes, tão enraizadas em nós e em quem somos, que é difícil distinguir a minha opinião da opinião da minha mãe, da avó ou da vizinha.
Nestes dias que introspecção, consegui ouvir claramente (curiosamente à porta de um shopping) que a voz que stressa com "o que vais fazer", "porque não assentas", "não sabes o que queres ser" não é efectivamente a minha voz, mas o eco das preocupações dos outros, que me querem muito, que só me querem ver feliz, mas que não vivem a minha vida, nem vêm o meu mundo com os meus olhos, mas com os seus.
Daí os seus stresses. E por serem deles, existe a opção de não lhes dar ouvidos.



5. Se quero sentir-me de uma determinada maneira, tenho que começar a sentir-me dessa maneira
Esta é a epifania mais etérea e difícil de explicar. E ao mesmo tempo, a mais duh! porque estou sempre a dizer nas minhas conferências que o nosso cérebro não pensa em negativos. Ou seja, se eu disser "Não pensem num elefante cor-de-rosa", que imagem é que surge no cérebro?


Da mesma forma, ao pensar "eu não me quero sentir assim", "eu não quero estar mal-humorada/irritada/stressada/..." parece que reforço esse sentimento.
Em vez disso, é preciso fazer um pouco de role play e, em modo criança, "brincar às casinhas", fazendo de conta que se está no estado em que se quer estar, criando o ambiente para esse estado: pôr uma música a tocar, acender umas velas, fazer o pino, etc.
A Nike estava certa este tempo todo: Just Do It.

E foram estas as revelações de dois dias de retiro meio rural, meio urbano (cada macaco no seu galho).
Gostava muito de saber se desse lado, alguma vez experimentaram momentos destes, de auto-conhecimento e revelações pessoais.

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Obrigada pelos vossos comentários!

3 comentários:

  1. Eu também sou mega fã de tudo o que tenha que ver com o auto-conhecimento e as epifanias, vou-as tendo. Nunca fui para um retiro nesse sentido (devia, que a vida no campo, por acaso, é coisa que aprecio), por isso, tenho chegado às minhas revelações justamente ao fazer as coisas. A experimentar. E depois tenho a sorte de ter uma intuição muito forte e reações físicas mais fortes ainda que me dão o sinal claro do que não gosto, de não ser por ali, etc, etc.. E penso que realmente tem sido a passar pelas coisas e a refletir sobre elas que me tenho conhecido melhor, que soube o que queria fazer e como. Vou tendo muitos momentos de revelação e espero continuar a tê-los - é como disseste, o processo é contínuo. :) ***

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    1. Olá Anita,
      Obrigada pelo teu comentário e partilha de experiência. Realmente ir fazendo, reflectir sobre o que se fez e como nos sentimos, e confiar no nosso instinto, são 3 estratégias óptimas para aumentar o nosso auto-conhecimento.
      Também acho que esta confiança na nossa intuição é algo que se vai praticando e que vai crescendo com a experiência.
      Desejo-te muito mais momentos bons de revelações :)

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