De Advogada a Terapeuta, uma História de Mudança by Bárbara Couto - blogger convidada

Regresso de férias, com roupa nova, mochila nova, cadernos por estrear (ai as saudades das compras de Setembro do regresso às aulas...) e novidades, naturalmente.

Hoje abrimos, pela primeira vez o blog a uma convidada. Conheci a Bárbara Couto quando frequentámos um Mestrado em Direitos Humanos na Universidade do Minho.

Na altura ela era advogada. Agora é Terapeuta de Shiatsu. Aqui fica a sua história de mudança.

"Nunca contei esta  história do princípio ao fim, nunca a partilhei em detalhe ou com intuito de inspirar terceiros. Por ser a minha, acho-a muitas vezes aborrecida, outras vezes dramática (não fosse eu a rainha do exagero), outras ainda demasiado confusa. Mas aqui vai. 



Entrei no curso de Direito porque queria justiça e igualdade para todos. 
Estava confiante que iria fazer a diferença enquanto jurista e advogada. Antes disso, só queria cantar e dançar. Estudei música 9 anos e não sei bem onde me perdi para ter deixado esse mundo mágico para trás.
Os dois primeiros anos do curso foram de desencanto. 
No final do 2º ano descobri um grupo de ação social - o GAS África - e parti voluntária para a Madeira 2 meses.  Dei aulas de português, inglês e história e prestei apoio e cuidados a idosos. Quando cheguei pensei desistir do Direito. Mas não tinha nenhuma outra paixão (a não ser cantar e dançar) e, por comodidade, resolvi continuar a estudar leis. Afinal, ia para o 3º ano. 

Na altura, a audácia não me acompanhava, de todo! Estava atada. 
Aos 21, com tudo em aberto, já me sentia imensamente presa à escolha que havia feito aos 18 (incrível, não é?). Por isso continuei, dava muito trabalho mudar.

No final do curso arranjei logo emprego como advogada em melhores condições que as normais na altura. Ganhava pouco mas consegui sair de casa e ser auto-suficiente. Por descontentamento com o escritório decidi sair... e consegui... só que para outro escritório onde as motivações e objectivos de trabalho não eram assim tão diferentes.
A insatisfação com a profissão já no novo escritório foi aumentando ainda mais. E apesar do salário mais aliciante, as horas que passava a fazer o que não gostava eram demasiadas
Sentia que estava a perder a vida! Queria deixar de exercer. O problema é que eu não sabia fazer mais nada! 
Em desespero, para me distrair e tentar ainda na minha área, fiz uma pós-graduação em Direitos Humanos, tentei ir para a solicitadoria e passou-me pela cabeça a magistratura. Loucura! A verdade é que eu não queria fazer nada com o meu curso e não conseguia enfrentar isso.



Nessa altura comecei a sentir-me doente, deprimida, mesmo desanimada e, já bem no fundo do poço, encontrei uma amiga que me fez questionar: Quem é que estava desanimada. Quem quer mudar? Quem é o sujeito?

Foi quando procurei saber mais sobre os meus traços de personalidade, tendências e principais medos. Comecei por fazer um curso de Eneagrama. Descobri que outras pessoas têm as mesmas dificuldades que eu, que afinal não era assim tão especial (sempre me achei um ET) e que havia estudos sobre as máscaras que colocava (e eu a achar que disfarçava mesmo bem).

Descobri o yoga e a meditação (curiosamente meditação cristã). Antes de ir para o escritório meditava 10 minutos numa Igreja (pelo silêncio e tranquilidade que me proporcionavam). Comecei a “ver” mais claro, mais nítido. Viajei para o México, em retiro, para descobrir mais sobre o tal sujeito. Sobre mim. Foi reveladora essa viajem. Vi tudo de longe, percebi que as minhas emoções é que tornavam tudo tão complicado, nada mais. Tinha decidido: ia transformar o medo em amor e assim mudar a minha vida!




Voltei com a certeza que ia sair da advocacia. Uns dias depois esbarrei no Instituto de Medicina Tradicional, por ter aberto mesmo ao lado do cartório notorial. Inscrevi-me em Ayurvédica mas decidi, depois de conhecer uma professora de Shiatsu, que queria fazer Shiatsu. Logo na 1ª aula soube que ia fazer daquilo a minha vida.
Senti segurança, credibilidade, fez-me todo o sentido e mais algum. Tinha uma vocação, um apetência inata...era por ali o caminho.

Quando começou o curso de Shiatsu estava grávida de 3 meses. As aulas eram mesmo perto do escritório e saía muitas vezes a correr para o Instituto de Medicina Tradicional. Senti que podia ser terapeuta de Shiatsu e tracei um plano. 
O plano foi o meu segredo. 
Perdi várias horas a fazer contas, a estudar o calendário, a projetar e a estudar as hipóteses. Percebi que precisava de poupar x dinheiro para sair, que tinha que trabalhar mais 5 meses e uns dias e que queria montar o meu gabinete de Shiatsu numa clínica médica.
Falei com o médico responsável da clínica em vista. A medo e totalmente descrente do sucesso da coisa, esse Dr. garantiu-me o lugar numa sala da clínica que estava abandonada.
Depois de todas essas horas a planear, sabia que tinha que confiar, entregar a Deus, ao planeta, ao cosmos, entregar a tudo e mais alguma coisa. 
Não podia estar sempre a rectificar, a voltar atrás, a pensar no plano porque senão ia ficar maluca, desgastada. Pais, irmão, toda a família e amigos desconheciam completamente o que planeava fazer. Isto porque tremia de medo que me dissuadissem, que me transmitissem os seus receios. Afinal estava grávida e queria deixar a advocacia para fazer massagens (what? Crazy girl!).




Só o meu companheiro acompanhou o processo, mesmo assim, não falávamos muito porque também ele estava com imenso receio por mim, pelo meu futuro.
Marquei uma viagem a Barcelona para o dia seguinte ao que havia estipulado para me despedir. Fi-lo para me obrigar a não ficar mais uns tempos, sabia que me iam pedir isso e que eu tinha que dizer não. 
Quanto mais se aproximava a data estipulada, mais noites havia em que ficava agitada na cama, tanto era o medo. Não podia pensar a mais de 5 dias. Depois de traçar esse plano era viver um dia de cada vez. Concentrei-me e meditei muito em sentir a Clara dentro de mim, conectei-me profundamente com a força e fé que a graça da maternidade nos pode dar. Tive o apoio de uma amiga incrível que, de tempos a tempos me lembrava: acredita, confia, sei que vai dar certo. E eu confiei, acreditei e deu certo!

No dia em que disse ao meu chefe que ia embora, saí feliz do escritório. Tinha conseguido verbalizar de uma forma calma e coerente o que lhe queria dizer. Fui amigável e agradecida. Ao contrário da saída do primeiro escritório (da qual não me orgulho e tenho como aprendizado e lição). Senti um peso enorme sair-me dos ombros. Fui para Barcelona! Foram dos dias mais felizes da minha vida. Eu feliz, todos em pânico!

Descansei muito, tive a Clara, e 3 meses depois criei outro plano para “vender” o meu produto. Na altura, apenas o shiatsu! Criei um blog entre mamadas. Investiguei outros blogs e sites sobre terapias e imaginei que teria que haver uma estratégia.
Criei uma página de facebook, uma imagem, uma marca. 
Fui muito inspirada por uma amiga e também paciente que, curiosamente, também tinha tido uma menina da idade da Clara, e que decidiu aproveitar a licença de maternidade para criar uma marca de roupa de bebés. A Ma Petite Princesse e as longas conversas com a criadora, a Ana, foram mesmo importantes para perceber alguma coisa de marketing e publicidade. A Ana, como profissional de comunicação, continua a ser um exemplo e, mais recentemente, ficou responsável pelo lançamento da minha nova imagem e fase profissional.



O primeiro post do blog foi sobre a mudança de vida e atingiu muitas visualizações e interesse por parte das pessoas. 
Na semana que ia começar a fazer terapias, tinha 20 euros na carteira, nada mais. Comecei do zero. Mesmo! Por sorte, destino ou karma, desde a primeira semana tive pacientes. Tive uma que foi mesmo especial porque se apaixonou por mim e pelo meu trabalho. Espalhou aos 7 ventos o Shiatsu e, ainda hoje, 2 anos depois, chegam pessoas a quem essa querida falou. 

Um ano depois, surgiu o interesse por desenvolver mais a ajuda aos meus pacientes através do yoga e meditação. E surge assim a marca Bárbara Couto que, em alguns dias, está aí. Agora como Shiatsu, yoga e meditação. 
A minha vida é substancialmente diferente. Faço a gestão do meu horário, consigo estar com a minha filha. Trabalho na mesma imenso, mas com gozo – e isso faz toda a diferença. Chego a casa com um sorriso nos lábios e o cansaço é quase nenhum. 

Entretanto, também presto assistência à minha professora de yoga (que foi minha formadora), quer nas aulas de yoga quer na organização de eventos e workshops com os mais diversos temas. Este recente trabalho dá-me uma satisfação enorme pois estimula a minha faceta comunicativa e criativa. 

Só sinto a falta do ordenado certo ao fim do mês. Não saber o que vai acontecer na próxima semana, se vou ter terapias, aulas ou cursos suficientes para pagar as minhas contas é das coisas que ainda não tenho totalmente resolvidas, mas estou muito melhor!

Mais uma vez, e para controlar esse receio que, meia volta aparece, medito e pratico para confiar que vai correr tudo bem desde que faça o meu trabalho honestamente, medito e pratico para viver um dia de cada vez, sem demasiadas expectativas e com imensa certeza que darei sempre o meu melhor e que a mudança é uma constante da vida. 
Aceito o desafio que é viver sem tantas certezas! 

5 comentários:

  1. Gosto! Um bonito testemunho de como mudar custa e dá trabalho mas vale a pena!

    ResponderEliminar
  2. É verdade :) Obrigada pelo feedback e ainda bem que gostaste!

    ResponderEliminar
  3. This is post is very nice, knowledgeable and informative. Email Marketing Integration and automation tactics that lift conversions and boost ROI. You can also get information from this links………..
    email marketing

    ResponderEliminar
  4. É preciso ter-se muita coragem para enfrentar o temível "Gigante Adasmator"- o medo. É uma fonte de inspiração por ter desmascarado essa invisibilidade emocional. Parabéns e muitas felicidades!

    ResponderEliminar
  5. É preciso ter-se muita coragem para enfrentar o temível "Gigante Adasmator"- o medo. É uma fonte de inspiração por ter desmascarado essa invisibilidade emocional. Parabéns e muitas felicidades!

    ResponderEliminar