Desmeditar

A Meditação, o Zen, o Neo- Espiritual estão na moda.
Mesmo que não estivessem, o trabalho da marca pessoal passa também por um conhecimento profundo de si próprio, que pode ser alcançado através de vários meios - cada um sabe o que funciona para si - incluindo estes.
Mais ainda, como já tinha anunciado há uns tempos atrás, este é, para mim, o ano ZEN, de tentar despreocupar e destressar, estando mais presente no momento de agora e menos preocupada com o que vai acontecer amanhã ou a remoer o que aconteceu ontem.



Neste sentido, ando a tentar meditar.
O que me stressa infinitamente.
Primeiro, porque acho que a solução para todos os meus problemas, passaria pela disciplina de me sentar 20 minutos, todos os dias no mesmo local, e meditar (seja lá isso o que for).
Depois, porque falho diariamente na prossecução desse objectivo.
E diariamente me "dou na cabeça" por não ter conseguido, mais uma vez, fazer aquilo que é "A solução para todos os meus problemas".

Eis se não quando surge um curso de meditação, anunciado pela minha professora de Yoga, com o seu Mestre brasileiro.
Inscrevo-me e no dia e hora marcados, estou lá, preparada para um dia de Ohms e Ahms sonoros e alterações interiores.

A primeira coisa boa que aconteceu, foi que, numa plateia de cerca de 50 pessoas, todos partilham deste mal de não conseguir parar para meditar. É tão bom saber que não estamos sozinhos...!

A segunda coisa boa/surpreendente foi que o Mestre mais que um yogi barbudo e tranquilo que nos guiaria em meditações previsíveis, era um provocador que, em vez de explicar verbalmente, nos fazia sentir o que tentava explicar. E continuou a provocar até ao fim (tenho a certeza que houve gente que pensou em não aparecer de tarde...)

A terceira coisa boa, foi que a mensagem principal do curso surgiu como que uma resposta às minhas preces. Parafraseando o Mestre, eis a moral da história:

- a malta já é neurótica o suficiente, sem ter que acrescentar a neurose diária do "eu tenho que meditar, eu tenho que meditar, eu tenho que meditar";

- a meditação é um estado e não um processo, e como tal não se ensina, porque não pode ser ensinada, da mesma forma que não se pode ensinar alguém a amar;

- o caminho para este estado deve ser percorrido diariamente, nos diferentes momentos do dia, sem que para isso tenhamos que nos sentar num cantinho tranquilo com velas e incenso a queimar. É apenas necessário: prestar atenção à respiração + tentar não criticar

E isto, que parece tão simples, é simplesmente tão complicado.
Imagino que quando dominar estes talentos complicados (atenção à respiração e não criticar) que outros níveis se abram e outros desafios se apresentem. Mas até lá o caminho é longo.

Por isso, a todos vocês que querem meditar e relaxar e entrar em modo Zen, aqui ficam estes conselhos para primeiro Desmeditar, remover todas as ideias pré concebidas e indutoras de neuroses, para depois começar a caminhar na direcção certa.

Boa viagem!

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