Branding Pessoal e a Procura do Candidato Perfeito


Estamos em crise. Porreiro Pá. No entanto, na minha recolha de notícias de fontes diversas, comecei a reparar num paradoxo: grandes empresas (como o grupo de restauração Portugália) e grandes sectores (como o têxtil) a queixaram-se da dificuldade em recrutar. À procura de esclarecimentos, passei uma tarde chuvosa a conversar com um grupo de jovens recrutadores da Tempo Team. Fica aqui um pequeno resumo da nossa entrevista, que me deixou várias vezes de boca surpreendidamente aberta:


Falta de Perfil e Falta de Interesse
  • Os candidatos que surgem ou têm um perfil desadequado às funções ou, quando têm perfil, não estão interessados na função.
  • A cultura portuguesa desvaloriza os cursos profissionais, considera-os como veículos para profissões de 2ª. Como consequência, falta mão-de-obra qualificada (existindo excelentes condições para estes profissionais). As pessoas querem ter cursos superiores mas esquecem-se que o mercado está saturado.
  • A qualificação em Portugal está desadequada. Não é fácil escolher uma profissão: as decisões são tomadas muito cedo e são pouco enquadradas. É essencial ter um sólido conhecimento do que quero fazer, do que me motiva.
"Tivemos a C. a trabalhar na ZON enquanto terminava o seu curso de assistente social. Quando concluiu a sua licenciatura, despediu-se porque encontrou trabalho na sua área profissional. No entanto, detestou a experiência! Pouco tempo depois voltou a trabalhar na ZON, onde ainda se encontra e se sente muito realizada."


 
Factor Comodismo ou a Irrealidade da Taxa de Desemprego
  • Não podemos marcar entrevistas para 2ª nem para 6ª feira. Os candidatos não querem trabalhar aos Sábados ou Domingos e na época de Natal ou no Verão é impossível recrutar.
  • É mais cómodo manter o subsídio de desemprego. Ser dependente do Estado é quase uma profissão.
  • A maioria dos candidatos procuram um trabalho com pouca responsabilidade e com elevado rendimento. Não há perspectiva de evolução na carreira.
  • Temos que motivar os candidatos para as funções: vendemos a posição e tentamos mostrar como será interessante. Actualmente é o empregador que tem que se adaptar aos candidatos e não ao contrário.


Entrevistas: dos and dont's
  • Os candidatos vêm mal preparados às entrevistas de emprego: não conhecem o cargo nem a empresa à qual se candidatam.
  • O processo de recrutamento é uma venda. Não se trata apenas de responder às perguntas. Valoriza-se a iniciativa do candidato, alguém que não se limite a reagir, mas que seja proactivo.
  • É necessário: ter muito cuidado com as expressões que se usa (nunca dizer “estou interessado até surgir alguma coisa melhor”); é preciso atender o telefone depois de uma entrevista; não aparecer com os pais ou vestido com havaianas e calções. Podem parecer indicações do senso comum, mas são situações que acontecem com frequência.


Marca Pessoal e Soft Skills
  • Competências como capacidade de comunicação, de argumentação, de influência, são muito importantes para diferenciar os candidatos. As entrevistas actualmente têm diferentes fases que tentam avaliar estas capacidades.
  • A Marca Pessoal ajuda no momento da entrevista: 1º pela comunicação das soft skills, depois o candidato deve mostrar a sua mais-valia para a equipa e isso descobre-se pelo diálogo, não pelo CV. O entrevistador vai dando dicas que o entrevistado deve aperceber e usar. É importante também trabalhar a memorização do nome.

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