Os empregos mais felizes e os mais infelizes

Continuando com a nossa saga de análise de empregos, no mesmo artigo da revista Visão que falava sobre os novos trabalhos, apareciam também duas listas que achei muito interessantes: os empregos mais felizes e os mais infelizes de 2013.

Estas listas foram elaboradas para a realidade do mercado de trabalho americana e hierarquizam as profissões tendo em conta a satisfação profissional sentida.

Parece que (só) o dinheiro não traz mesmo felicidade.

Os trabalhos mais infelizes de 2013 (USA)





























Photo Credit: ♥beryl via Compfight cc


1. Director de Tecnologias de Informação
2. Director de Vendas e Marketing
3. Gestor de Produto
4. Programador Web Senior
5. Especialista Técnico
6. Técnico de Electrónica
7. Oficial de Justiça
8. Analista de Apoio Técnico
9. Operador de Máquinas
10 Gestor de Marketing

Em resposta, a Organização Nacional de Pesquisa da Universidade de Chicago, avançou com a lista:

Os 10 trabalhos mais Felizes






















photo credit: K-Bot via photopin cc 

1. Membro do Clero
2. Bombeiro 
Algumas listas colocam esta como a profissão civil mais stressante e no entanto...
3. Fisioterapeuta 
Interacção com pessoas + ajudar no processo de cura = :)
4. Autor 
Apesar do salário baixo - ou inexistente - a satisfação advém da liberdade de escrever o que nos vai na mente
5. Professor de Educação Especial 
Salário baixo; Satisfação alta.
6. Professores 
Curioso como, na minha visão da realidade portuguesa, não me surge imediatamente a imagem mental do professor com um sorriso nos lábios. Eu sei que existem, mas quando penso em professores, a associação imediata que faço é: manifestações!
7. Artistas 
Mais uma profissão de salário reduzido ou inexistente, com satisfação pela expressão. Ainda bem que há dicas para ajudar o artista que temos em nós a ganhar dinheiro.
8. Psicólogos
9. Agentes de Venda de Serviços Financeiros 
Eu sei, eu também levantei a sobrancelha quando li este título tão pomposo. Parece que neste caso, a satisfação vem de um trabalho bem pago, num horário das 9h às 17h, no ambiente quentinho e confortável do escritório.
10. Engenheiros Operacionais 
ou seja, passar o dia a brincar com brinquedos gigantes: guindastes, buldozers, gruas, entre outros.

É muito interessante comparar estas duas listas entre elas e também com as listas dos melhores e piores empregos de 2014.
Nesta altura de procura de um emprego com significado, que nos traga satisfação pessoal e profissional parece que não se pode procurar tudo no mesmo pacote. O status profissional (tão importante neste país de Drs e Engs), os salários elevados, um bom ambiente de trabalho, a sensação de estar a contribuir para algo dentro da empresa (por oposição a estar preso a uma secretária e a uma hierarquia que não se compreende e onde não nos compreendem) e a inteacção saudável e estimulante com outras pessoas, bem como a sensação de ajudar o outro, parece que não podem conviver dentro do mesmo pote.
Encontrar um trabalho que conjugue todos estes elementos e ainda acrescente satisfação pessoal e profissional parece, de acordo com estas listas, semelhante a encontrar um unicórnio na Rua de Santa Catarina.



























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Ir ao Facebook ou não ir ao Facebook, eis a questão...!

Ultimamente tenho andado a criar uma aversão crescente ao Facebook.
Este sentimento aumenta na altura das modas: quando os joguinhos andam na moda e recebo 500 convites para o Candy Crush Saga e a Quinta de Qualquer Coisa (eu não gosto destes jogos, eu não jogo estes jogos e não há convite que me mude as ideias); ou a recente moda dos desafios: fotos da infância, listas de livros preferidos, ...

Detesto também aquela quase que obrigatoriedade de estar presente e de ter coisas para partilhar e mostrar ao mundo, de pintar uma realidade que seja interessante e que leve os outros a clicar num botão. A nossa auto-apreciação e auto-estima, ligadas ao número de likes e comentários que obtemos nas redes sociais. Tudo isto me parece cada vez mais ridículo.





















Não estou sozinha neste meu grito do Ipiranga, de acordo com o Washington Post, já é oficial que os adolescentes abandonaram o Facebook. Outras redes sociais como o Instagram e o Twitter, estão a ganhar os seguidores que o Facebook perde e conseguem cativar os mais novos por estarem livres e desempedidas dos pais e avós que já dominam os likes, os comments e os shares do Facebook.

Como ter apoio científico por detrás de uma opinião é sempre agradável e confortável, partilho aqui estes dois videos, do canal sobre ciência do YouTube - Veritasium, que explicam o problema com o Facebook e particularmente com a publicidade paga nesta rede social.



O que mais me chamou a atenção neste vídeo é a realidade do nosso feed de notícias.
Há algumas páginas das quais gosto, mas que raramente aparecem no meu feed. Isto porque se não gostar e comentar tudo o que me interessa (e nem sempre dá jeito/apetece/quero fazê-lo), esses elementos vão desaparecendo, sendo substituidos por outros, acabando eu com um feed composto apenas pelo conteúdo de uns 5 ou 6 primos e de outros tantos amigos. Não tenho problema nenhum com as novidades da família, mas para isso é que existem telefones e festas de aniversário.

Para além disso, parece que o próprio Facebook admitiu num comunicado que esperam que o alcance orgâncio dos posts venha a ser cada vez menor, ou seja, se queremos que alguém veja o que publicamos, teremos que pagar. Isto é válido tanto para empresas como para utilizadores individuais transformando-nos a todos em anunciantes.



Por estas e por outras estou a cinco minutos de apagar a página do Facebook do Eu, Marca Registada e a uns 10 de eliminar a minha página pessoal.

E a ti, o que te parece a vida no Facebook?

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Os melhores e os piores empregos de 2014

Mantendo a temática dos tops de empregos, descobri também as previsões americanas em 2013, do que seriam os melhores empregos em 2014.
Melhor, neste caso significam as profissões com maior taxa de crescimento e com os salários mais elevados.

Os melhores empregos 2014
melhores = maior taxa de crescimento, salário elevado






















Photo Credit: JD Hancock via Compfight cc

1. Programador de software, aplicações e sistemas

2. Analista de Pesquisa de Mercado e Especialista em Marketing

3. Especialista em Formação e Desenvolvimento

4. Analista Financeiro

5. Fisioterapeuta

6. Programador Web

7. Gerente de Logística

8. Administrador de Bases de Dados

9. Planeador de Eventos, Reuniões e Convenções

10. Intérprete e Tradutor

11. Engenheiro Petrolífero

12. Analista de Informação e Segurança

Claro que a lista acima reflecte a realidade Norte Americana e baseia-se essencialmente, no valor ganho por hora de cada um destes profissionais.

Mudando de continente, também a lista muda um bocadinho.
Vejam os empregos com salários mais elevados do Reino Unido (ou seja, um dos factores para ser considerado "o melhor")

Empregos com os Maiores Salários versão UK

1. C.E.O.
Chief Executive Officer ou, basicamente, Administrador
Não há curso específico, mas experiência na área e um MBA ajudam.

2. Piloto
curso nada barato + horas e horas de voo

3. Controlador de Tráfego Aéreo
Competências requisitadas: articulação de palavras, capacidade de decisão, elevada capacidade de concentração, resolução de problemas e competências numéricas.

4. Director de Marketing e Vendas

5. Juristas
Profissionais do Direito, que não sejam advogados, juízes nem solicitadores. Basicamente são conselheiros e representantes legais dos seus clientes: indivíduos ou organizações. Pode parecer uma repetição das funções de um advogado, mas eu conheço uma jurista especializada em propriedade industrial!


E como ter um ponto de comparação é sempre benéfico e até essencial para termos uma perspectiva bem formada, segue a lista dos piores empregos de 2014, para a realidade USA.
Inversamente às listas anteriores, estes são considerados "os piores" tendo em conta a tendência decrescente de contratação, os salários reduzidos e os níveis de stresse que acompanham estas ocupações.

Piores empregos 2014
Pior = contratação decrescente, elevados níveis de stress, salários reduzidos























Photo Credit: Jose Mª R. T. via Compfight cc


1. Madeireiro
Mecanização dos processos + locais de trabalho remotos + baixos salários

2. Jornalista (imprensa escrita)
O digital leva ao abandono do papel (que vem das árvores... será que o declínio destas duas primeiras profissões estão relacionadas?) e ao fecho de muitas publicações.

3. Militares
A ocupação mais stressante e perigosa

4. Taxista
Stress + perigo + baixo salário

5. Jornalista de rádio
Poucos postos > muita concorrência > stress elevado

6. Chef de cozinha
Desta tenho as minhas dúvidas, uma vez que no nosso país há cada vez mais procura e os salários são bem interessantes. Pontos negativos: horário de trabalho + stress

7. Assistente de Bordo

8. Lixeiro

9. Bombeiro
considerada a profissão mais stressante actividade civil de acordo com estes senhores

10. Guarda Prisional

Se quiserem encontrar uma lista dos empregos do futuro, talvez boas alternativas aos que aqui estão elencados, cliquem neste link.

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Como comentar no blogger: passo-a-passo

Como prometido no post anterior, aqui fica um passo-a-passo fácil de seguir (esperamos...!) para conseguir fazer comentários nos blogues alojados no blogger que, coincidência das coincidências, é o caso deste site, vejam lá! Se quiseres saber como deixar as tuas ideias por aqui, continua a ler.









Photo Credit: Florian SEROUSSI via Compfight cc 

1. Entrar no post que se quer comentar

Basta clicar no título da mensagem ou no link "Read more" e já está!


2. Os comentários estão no fim

A área dos comentários de cada post está, naturalmente no final de cada mensagem, dentro da lógica do "1º lê, depois comenta"

2.2 Nesta área existe uma caixa em branco com umas letras cinza clarinhas a dizer "Introduza o seu comentário..." Mas atenção! 
2.3 Antes de escrever o comentário é preciso seleccionar uma conta. Como? Por baixo desta caixa branca, existe um botão ao lado da frase "Comentar como:" Esse botão é um menu que apresenta as diferentes contas, com as quais é possível comentar.


2.4 É preciso escolher uma.
Este site não permite comentários anónimos - porque aqui somos todos corajosos e de cara bonita.
Qualquer conta Google (Gmail, por exemplo) permite comentar. Se já estiverem ligados à vossa conta, o nome deve aparecer automáticamente. Se não estiverem, são reencaminhados para um painel bem conhecido:


2.5 Fazem o log in normal (os mesmos passos para entrar no e-mail, neste caso) e voltam automaticamente ao sítio onde estavam anteriormente e agora sim, toca a deixar transbordar o corpo e a alma para essa caixinha de comentários (seta azul).


3. Publicar ou enviar para o universo


Depois desta canseira toda, basta
3.1 reler o que se escreveu e
3.2 carregar no botão Publicar.

E já está, mais uma excelente dose de bom karma enviada directa e gratuitamente para o Universo!

De nada!
Beijos e abraços

Profissões do Futuro

Durante um almoço, veio parar-me às mãos uma revista Visão de Abril deste ano, com um artigo super interessante, sobre as profissões do futuro.
Não são previsões mirabolantes de um futuro longínquo em que os carros voam e os hambúrgueres são azuis, mas de profissões que foram surgindo, porque algumas já existem e outras que estão ainda a surgir, fruto das alterações naturais que vão acontecendo neste aquário a que chamamos Sociedade.

Algumas profissões são auto-explanatórias, mas para outras precisei de um pouco mais do que o título do cargo para perceber do que se tratava:

Profissões do Futuro


Piloto de Drones
Todo aquele treino com os joguinhos de computador e as competências adquiridas no uso do joy stick serão finalmente postos em prática. Para obter certificação, já existem escolas especializadas.

Planificador de ID Digital
Cria e mantém uma marca online

Enfermeiro de Saúde Ligada ao Meio Ambiente
Porque o ar que respiramos não é assim tão limpo e o meio em que nos integramos já pouco tem de natural, este enfermeiro actua tanto no físico do doente, como no contexto que o rodeia.

Organizador de Comunidade Online
Trabalha para uma empresa e faz isso mesmo.

Coordenador de Cuidados Pessoais
Não é um servente para nos lavar os dentes e apertar os cordões, mas antes um profissional que faz a ponte entre o indivíduo e as instituições de saúde e serviços

Agricultor-Chefe
Domina o processo todo, desde a semente ao empratamento.

Arqueólogo Digital
Descobre o rasto digital e elimina-o.

Curador
Não de museus, nem de exposições, mas aquele que cura recorrendo às medicinas alternativas.

Gestor de Marca Pessoal
"Agentes de talento que ajudam as pessoas a planificar as carreiras e a encontrar novas oportunidades" (ah, AH!)

Agregador de Talentos
Partindo do princípio - e da forte probabilidade - que as empresas no futuro poderão ser reduzidas a um pequeno núcleo de trabalhadores efectivos, este Agregador de Talentos junta equipas pontuais para a realização de projectos, que necessitam de competêcias que não se encontram nesse núcleo base da empresa.

Escritor Wiki
Escritor versátil que trata e desenvolve informação em diferentes áreas e estilos, online.

Arquitecto de realidade virtual

Gestor de Avatares
Uma espécie de Gestor de Recursos Humanos mas do mundo virtual: um especialista que, dentro de uma empresa, ajuda a gerir as relações virtuais

Conselheiro Laboral
Uma evolução dos mentores que actualmente já existem, em algumas empresas

Gestor de Nuvens
Nuvens mesmo, não Clouds. Parece que no futuro, será possível fazer chover ou afastar as nuvens para um dia mais solarengo. Acho que esta profissão, a existir, dará origem a uma série de outras que não apareciam nesta lista, como "Gestor de Tráfego Nublado", "Mediador de Conflitos Aéreos" e "Advogado Especialista em Questões Relativas a Pequenas Particulas de Água Suspensas na Atmosfera, doravante designadas por NUVENS".

Cirurgião de Aumento de Memória
Da pessoa, não dos PCs.

Shopper Specialist

Virtual Girlfriend
No comment...

Mecânico de Robots

Assistente de Nutrição
Que aconselha na compra e na confecção dos alimentos

Conselheiro Genético
Ajuda as famílias a prevenir problemas de saúde que os filhos irão ter

Advogado de Animais
A par do Psicólogo de Animais, do Chef de Comida para Animais, do Personal Trainer para Animais, ... a lista é interminável.

Nanomédico
Trabalha numa escala super reduzida, como a das moléculas

Consultor de Sustentabilidade

Designer de Órgãos
Porque se deixarmos o desenvolvimento de órgãos apenas nas mãos dos engenheiros, eles serão esteticamente pouco apelativos, pesados e vão arranhar, com certeza.

Agricultor Vertical
Sim, os agricultores já andam na vertical, mas este "Vertical" refere-se aos campos do futuro que poderão vir a ser nas fachadas dos edifícios.

Terapeuta Respiratório
Imagino que seja uma convergência de conhecimentos de cura de doenças respiratórias e ensinar a respirar melhor, o que já se vai aprendendo em algumas aulas de yoga. True story.

Pediatra Fetal
Cura problemas de saúde antes do nascimento.

Especulador / Banqueiro de Moedas Virtuais
Porque os problemas criados pelos bancos "reais" não eram suficientes.

Especialista em Crowdfunding
O Sr. Zack Brown que conseguiu angariar $55 000 numa plataforma de crowdfunding, para fazer salada de batata será, com certeza, um excelente candidato.

Guia Turístico Espacial
Potenciais empregadores: Virgin Galactic, Space Expedition Corporation, Space Adventures Ltd, Excalibur Almaz.

Arquivista Pessoal
Organiza e cataloga a vida digital

Consultor de Privacidade
Identifica vulnerabilidades em termos de segurança física e virtual. Uma espécie de guarda-costas todo o terreno.

Vão começar a treinar para qual?

A Sanduíche do Feedback

Escrever um blogue em português pode por vezes parecer um exercício de "falar para o boneco".
O lusitano - pelo menos os do meu círculo - não estão habituados a ver, ler e manifestar-se.
Acontece com frequência e sei que não sou ave rara, não obter qualquer comentário num determinado post e depois, no próximo jantar de família ou encontro de amigos, ter 4 ou 5 pessoas a dizer o quanto gostaram de ler o que escrevi e como aquele assunto lhes lembra algo que aconteceu com eles.

Porque é que o povo não comenta?
De entre as razões que me chegam, algumas são:

- "não sei bem como fazer, que não estou habituada àqueles botões..."
- "não sei bem o que dizer, que tenho medo de escrever alguma coisa estúpida..."
- "apetece-me comentar tudo, mas não quero parecer um stalker..."
- "eu gosto de seguir as coisas em modo undercover: vejo, mas não gosto que saibam que vi..."
- "vi a correr e não deu tempo para comentar..."


Photo Credit: DaveAustria.com via Compfight cc 

O que posso fazer?
Ora bem, quanto ao tempo disponível lamento, mas não tenho horas para dar. Tenho um workshop de gestão de tempo, mas isso também leva tempo.

Quanto ao modo undercover-agente secreto, acho muito bem que o mantenham. Ninguém pode pedir que se abdique de todas as engenhocas curtidas de se ser agente secreto, apenas para ter uns comentários num blogue.

De stalkers gosto. Desde que online, bem educados e pouco choramingas.

Ultrapassar o medo de soar estúpido é um trabalho contínuo e um exercício de coragem, que só se consegue com muita vontade própria. Talvez este vídeo possa servir de inspiração.

Quanto aos botões esquisitos, o post que aí vem a seguir será um passo a passo detalhado de como domar os botões dos comentários no blogger e finalmente, conseguir comentar à vontade, deitando a alma cá para fora (lá dentro).

Finalmente, e justificando o título deste post, sempre que vem à tona o tema do feedback, lembro-me de uma das formações que fiz em Londres antes de arrancar para a Índia. Os anglo-saxónicos, ao contrário dos lusitanos, adoram comentar e estruturar tudo e mais alguma coisa, nomeadamente a forma como se dá feedback. Foi aí que conheci mais uma sanduíche, que transforma em metáfora a forma correcta de se comentar algo:


A Sanduíche do Feedback:



photo credit: MICOLO J Thanx 4 725k+ views via photopin cc


1º começar com algo positivo relativamente ao que se viu, leu, ouviu, ou seja, do que temos que comentar de que é que gostámos?

2º dizer o que é que, na nossa opinião, pode ser melhorado.

3º terminar com uma apreciação geral positiva/optimista do objecto do comentário.

Naturalmente que esta sanduíche nunca foi trincada por nenhum elemento do jurí dos Ídolos e se tivesse sido, talvez sofressem as audiências.

Boa sorte, bom apetite e bons comentários.

De Advogada a Terapeuta, uma História de Mudança by Bárbara Couto - blogger convidada

Regresso de férias, com roupa nova, mochila nova, cadernos por estrear (ai as saudades das compras de Setembro do regresso às aulas...) e novidades, naturalmente.

Hoje abrimos, pela primeira vez o blog a uma convidada. Conheci a Bárbara Couto quando frequentámos um Mestrado em Direitos Humanos na Universidade do Minho.

Na altura ela era advogada. Agora é Terapeuta de Shiatsu. Aqui fica a sua história de mudança.

"Nunca contei esta  história do princípio ao fim, nunca a partilhei em detalhe ou com intuito de inspirar terceiros. Por ser a minha, acho-a muitas vezes aborrecida, outras vezes dramática (não fosse eu a rainha do exagero), outras ainda demasiado confusa. Mas aqui vai. 



Entrei no curso de Direito porque queria justiça e igualdade para todos. 
Estava confiante que iria fazer a diferença enquanto jurista e advogada. Antes disso, só queria cantar e dançar. Estudei música 9 anos e não sei bem onde me perdi para ter deixado esse mundo mágico para trás.
Os dois primeiros anos do curso foram de desencanto. 
No final do 2º ano descobri um grupo de ação social - o GAS África - e parti voluntária para a Madeira 2 meses.  Dei aulas de português, inglês e história e prestei apoio e cuidados a idosos. Quando cheguei pensei desistir do Direito. Mas não tinha nenhuma outra paixão (a não ser cantar e dançar) e, por comodidade, resolvi continuar a estudar leis. Afinal, ia para o 3º ano. 

Na altura, a audácia não me acompanhava, de todo! Estava atada. 
Aos 21, com tudo em aberto, já me sentia imensamente presa à escolha que havia feito aos 18 (incrível, não é?). Por isso continuei, dava muito trabalho mudar.

No final do curso arranjei logo emprego como advogada em melhores condições que as normais na altura. Ganhava pouco mas consegui sair de casa e ser auto-suficiente. Por descontentamento com o escritório decidi sair... e consegui... só que para outro escritório onde as motivações e objectivos de trabalho não eram assim tão diferentes.
A insatisfação com a profissão já no novo escritório foi aumentando ainda mais. E apesar do salário mais aliciante, as horas que passava a fazer o que não gostava eram demasiadas
Sentia que estava a perder a vida! Queria deixar de exercer. O problema é que eu não sabia fazer mais nada! 
Em desespero, para me distrair e tentar ainda na minha área, fiz uma pós-graduação em Direitos Humanos, tentei ir para a solicitadoria e passou-me pela cabeça a magistratura. Loucura! A verdade é que eu não queria fazer nada com o meu curso e não conseguia enfrentar isso.



Nessa altura comecei a sentir-me doente, deprimida, mesmo desanimada e, já bem no fundo do poço, encontrei uma amiga que me fez questionar: Quem é que estava desanimada. Quem quer mudar? Quem é o sujeito?

Foi quando procurei saber mais sobre os meus traços de personalidade, tendências e principais medos. Comecei por fazer um curso de Eneagrama. Descobri que outras pessoas têm as mesmas dificuldades que eu, que afinal não era assim tão especial (sempre me achei um ET) e que havia estudos sobre as máscaras que colocava (e eu a achar que disfarçava mesmo bem).

Descobri o yoga e a meditação (curiosamente meditação cristã). Antes de ir para o escritório meditava 10 minutos numa Igreja (pelo silêncio e tranquilidade que me proporcionavam). Comecei a “ver” mais claro, mais nítido. Viajei para o México, em retiro, para descobrir mais sobre o tal sujeito. Sobre mim. Foi reveladora essa viajem. Vi tudo de longe, percebi que as minhas emoções é que tornavam tudo tão complicado, nada mais. Tinha decidido: ia transformar o medo em amor e assim mudar a minha vida!




Voltei com a certeza que ia sair da advocacia. Uns dias depois esbarrei no Instituto de Medicina Tradicional, por ter aberto mesmo ao lado do cartório notorial. Inscrevi-me em Ayurvédica mas decidi, depois de conhecer uma professora de Shiatsu, que queria fazer Shiatsu. Logo na 1ª aula soube que ia fazer daquilo a minha vida.
Senti segurança, credibilidade, fez-me todo o sentido e mais algum. Tinha uma vocação, um apetência inata...era por ali o caminho.

Quando começou o curso de Shiatsu estava grávida de 3 meses. As aulas eram mesmo perto do escritório e saía muitas vezes a correr para o Instituto de Medicina Tradicional. Senti que podia ser terapeuta de Shiatsu e tracei um plano. 
O plano foi o meu segredo. 
Perdi várias horas a fazer contas, a estudar o calendário, a projetar e a estudar as hipóteses. Percebi que precisava de poupar x dinheiro para sair, que tinha que trabalhar mais 5 meses e uns dias e que queria montar o meu gabinete de Shiatsu numa clínica médica.
Falei com o médico responsável da clínica em vista. A medo e totalmente descrente do sucesso da coisa, esse Dr. garantiu-me o lugar numa sala da clínica que estava abandonada.
Depois de todas essas horas a planear, sabia que tinha que confiar, entregar a Deus, ao planeta, ao cosmos, entregar a tudo e mais alguma coisa. 
Não podia estar sempre a rectificar, a voltar atrás, a pensar no plano porque senão ia ficar maluca, desgastada. Pais, irmão, toda a família e amigos desconheciam completamente o que planeava fazer. Isto porque tremia de medo que me dissuadissem, que me transmitissem os seus receios. Afinal estava grávida e queria deixar a advocacia para fazer massagens (what? Crazy girl!).




Só o meu companheiro acompanhou o processo, mesmo assim, não falávamos muito porque também ele estava com imenso receio por mim, pelo meu futuro.
Marquei uma viagem a Barcelona para o dia seguinte ao que havia estipulado para me despedir. Fi-lo para me obrigar a não ficar mais uns tempos, sabia que me iam pedir isso e que eu tinha que dizer não. 
Quanto mais se aproximava a data estipulada, mais noites havia em que ficava agitada na cama, tanto era o medo. Não podia pensar a mais de 5 dias. Depois de traçar esse plano era viver um dia de cada vez. Concentrei-me e meditei muito em sentir a Clara dentro de mim, conectei-me profundamente com a força e fé que a graça da maternidade nos pode dar. Tive o apoio de uma amiga incrível que, de tempos a tempos me lembrava: acredita, confia, sei que vai dar certo. E eu confiei, acreditei e deu certo!

No dia em que disse ao meu chefe que ia embora, saí feliz do escritório. Tinha conseguido verbalizar de uma forma calma e coerente o que lhe queria dizer. Fui amigável e agradecida. Ao contrário da saída do primeiro escritório (da qual não me orgulho e tenho como aprendizado e lição). Senti um peso enorme sair-me dos ombros. Fui para Barcelona! Foram dos dias mais felizes da minha vida. Eu feliz, todos em pânico!

Descansei muito, tive a Clara, e 3 meses depois criei outro plano para “vender” o meu produto. Na altura, apenas o shiatsu! Criei um blog entre mamadas. Investiguei outros blogs e sites sobre terapias e imaginei que teria que haver uma estratégia.
Criei uma página de facebook, uma imagem, uma marca. 
Fui muito inspirada por uma amiga e também paciente que, curiosamente, também tinha tido uma menina da idade da Clara, e que decidiu aproveitar a licença de maternidade para criar uma marca de roupa de bebés. A Ma Petite Princesse e as longas conversas com a criadora, a Ana, foram mesmo importantes para perceber alguma coisa de marketing e publicidade. A Ana, como profissional de comunicação, continua a ser um exemplo e, mais recentemente, ficou responsável pelo lançamento da minha nova imagem e fase profissional.



O primeiro post do blog foi sobre a mudança de vida e atingiu muitas visualizações e interesse por parte das pessoas. 
Na semana que ia começar a fazer terapias, tinha 20 euros na carteira, nada mais. Comecei do zero. Mesmo! Por sorte, destino ou karma, desde a primeira semana tive pacientes. Tive uma que foi mesmo especial porque se apaixonou por mim e pelo meu trabalho. Espalhou aos 7 ventos o Shiatsu e, ainda hoje, 2 anos depois, chegam pessoas a quem essa querida falou. 

Um ano depois, surgiu o interesse por desenvolver mais a ajuda aos meus pacientes através do yoga e meditação. E surge assim a marca Bárbara Couto que, em alguns dias, está aí. Agora como Shiatsu, yoga e meditação. 
A minha vida é substancialmente diferente. Faço a gestão do meu horário, consigo estar com a minha filha. Trabalho na mesma imenso, mas com gozo – e isso faz toda a diferença. Chego a casa com um sorriso nos lábios e o cansaço é quase nenhum. 

Entretanto, também presto assistência à minha professora de yoga (que foi minha formadora), quer nas aulas de yoga quer na organização de eventos e workshops com os mais diversos temas. Este recente trabalho dá-me uma satisfação enorme pois estimula a minha faceta comunicativa e criativa. 

Só sinto a falta do ordenado certo ao fim do mês. Não saber o que vai acontecer na próxima semana, se vou ter terapias, aulas ou cursos suficientes para pagar as minhas contas é das coisas que ainda não tenho totalmente resolvidas, mas estou muito melhor!

Mais uma vez, e para controlar esse receio que, meia volta aparece, medito e pratico para confiar que vai correr tudo bem desde que faça o meu trabalho honestamente, medito e pratico para viver um dia de cada vez, sem demasiadas expectativas e com imensa certeza que darei sempre o meu melhor e que a mudança é uma constante da vida. 
Aceito o desafio que é viver sem tantas certezas!