A Sanduíche do Feedback

Escrever um blogue em português pode por vezes parecer um exercício de "falar para o boneco".
O lusitano - pelo menos os do meu círculo - não estão habituados a ver, ler e manifestar-se.
Acontece com frequência e sei que não sou ave rara, não obter qualquer comentário num determinado post e depois, no próximo jantar de família ou encontro de amigos, ter 4 ou 5 pessoas a dizer o quanto gostaram de ler o que escrevi e como aquele assunto lhes lembra algo que aconteceu com eles.

Porque é que o povo não comenta?
De entre as razões que me chegam, algumas são:

- "não sei bem como fazer, que não estou habituada àqueles botões..."
- "não sei bem o que dizer, que tenho medo de escrever alguma coisa estúpida..."
- "apetece-me comentar tudo, mas não quero parecer um stalker..."
- "eu gosto de seguir as coisas em modo undercover: vejo, mas não gosto que saibam que vi..."
- "vi a correr e não deu tempo para comentar..."

O que posso fazer?
Ora bem, quanto ao tempo disponível lamento, mas não tenho horas para dar. Tenho um workshop de gestão de tempo, mas isso também leva tempo.

Quanto ao modo undercover-agente secreto, acho muito bem que o mantenham. Ninguém pode pedir que se abdique de todas as engenhocas curtidas de se ser agente secreto, apenas para ter uns comentários num blogue.

De stalkers gosto. Desde que online, bem educados e pouco choramingas.

Ultrapassar o medo de soar estúpido é um trabalho contínuo e um exercício de coragem, que só se consegue com muita vontade própria. Talvez este vídeo possa servir de inspiração.

Quanto aos botões esquisitos, o post que aí vem a seguir será um passo a passo detalhado de como domar os botões dos comentários no blogger e finalmente, conseguir comentar à vontade, deitando a alma cá para fora (lá dentro).

Finalmente, e justificando o título deste post, sempre que vem à tona o tema do feedback, lembro-me de uma das formações que fiz em Londres antes de arrancar para a Índia. Os anglo-saxónicos, ao contrário dos lusitanos, adoram comentar e estruturar tudo e mais alguma coisa, nomeadamente a forma como se dá feedback. Foi aí que conheci mais uma sanduíche, que transforma em metáfora a forma correcta de se comentar algo:


A Sanduíche do Feedback:

1º começar com algo positivo relativamente ao que se viu, leu, ouviu, ou seja, do que temos que comentar de que é que gostámos?

2º dizer o que é que, na nossa opinião, pode ser melhorado.

3º terminar com uma apreciação geral positiva/optimista do objecto do comentário.

Naturalmente que esta sanduíche nunca foi trincada por nenhum elemento do jurí dos Ídolos e se tivesse sido, talvez sofressem as audiências.

Boa sorte, bom apetite e bons comentários.

De Advogada a Terapeuta, uma História de Mudança by Bárbara Couto - blogger convidada

Regresso de férias, com roupa nova, mochila nova, cadernos por estrear (ai as saudades das compras de Setembro do regresso às aulas...) e novidades, naturalmente.

Hoje abrimos, pela primeira vez o blog a uma convidada. Conheci a Bárbara Couto quando frequentámos um Mestrado em Direitos Humanos na Universidade do Minho.

Na altura ela era advogada. Agora é Terapeuta de Shiatsu. Aqui fica a sua história de mudança.

"Nunca contei esta  história do princípio ao fim, nunca a partilhei em detalhe ou com intuito de inspirar terceiros. Por ser a minha, acho-a muitas vezes aborrecida, outras vezes dramática (não fosse eu a rainha do exagero), outras ainda demasiado confusa. Mas aqui vai. 



Entrei no curso de Direito porque queria justiça e igualdade para todos. 
Estava confiante que iria fazer a diferença enquanto jurista e advogada. Antes disso, só queria cantar e dançar. Estudei música 9 anos e não sei bem onde me perdi para ter deixado esse mundo mágico para trás.
Os dois primeiros anos do curso foram de desencanto. 
No final do 2º ano descobri um grupo de ação social - o GAS África - e parti voluntária para a Madeira 2 meses.  Dei aulas de português, inglês e história e prestei apoio e cuidados a idosos. Quando cheguei pensei desistir do Direito. Mas não tinha nenhuma outra paixão (a não ser cantar e dançar) e, por comodidade, resolvi continuar a estudar leis. Afinal, ia para o 3º ano. 

Na altura, a audácia não me acompanhava, de todo! Estava atada. 
Aos 21, com tudo em aberto, já me sentia imensamente presa à escolha que havia feito aos 18 (incrível, não é?). Por isso continuei, dava muito trabalho mudar.

No final do curso arranjei logo emprego como advogada em melhores condições que as normais na altura. Ganhava pouco mas consegui sair de casa e ser auto-suficiente. Por descontentamento com o escritório decidi sair... e consegui... só que para outro escritório onde as motivações e objectivos de trabalho não eram assim tão diferentes.
A insatisfação com a profissão já no novo escritório foi aumentando ainda mais. E apesar do salário mais aliciante, as horas que passava a fazer o que não gostava eram demasiadas
Sentia que estava a perder a vida! Queria deixar de exercer. O problema é que eu não sabia fazer mais nada! 
Em desespero, para me distrair e tentar ainda na minha área, fiz uma pós-graduação em Direitos Humanos, tentei ir para a solicitadoria e passou-me pela cabeça a magistratura. Loucura! A verdade é que eu não queria fazer nada com o meu curso e não conseguia enfrentar isso.



Nessa altura comecei a sentir-me doente, deprimida, mesmo desanimada e, já bem no fundo do poço, encontrei uma amiga que me fez questionar: Quem é que estava desanimada. Quem quer mudar? Quem é o sujeito?

Foi quando procurei saber mais sobre os meus traços de personalidade, tendências e principais medos. Comecei por fazer um curso de Eneagrama. Descobri que outras pessoas têm as mesmas dificuldades que eu, que afinal não era assim tão especial (sempre me achei um ET) e que havia estudos sobre as máscaras que colocava (e eu a achar que disfarçava mesmo bem).

Descobri o yoga e a meditação (curiosamente meditação cristã). Antes de ir para o escritório meditava 10 minutos numa Igreja (pelo silêncio e tranquilidade que me proporcionavam). Comecei a “ver” mais claro, mais nítido. Viajei para o México, em retiro, para descobrir mais sobre o tal sujeito. Sobre mim. Foi reveladora essa viajem. Vi tudo de longe, percebi que as minhas emoções é que tornavam tudo tão complicado, nada mais. Tinha decidido: ia transformar o medo em amor e assim mudar a minha vida!




Voltei com a certeza que ia sair da advocacia. Uns dias depois esbarrei no Instituto de Medicina Tradicional, por ter aberto mesmo ao lado do cartório notorial. Inscrevi-me em Ayurvédica mas decidi, depois de conhecer uma professora de Shiatsu, que queria fazer Shiatsu. Logo na 1ª aula soube que ia fazer daquilo a minha vida.
Senti segurança, credibilidade, fez-me todo o sentido e mais algum. Tinha uma vocação, um apetência inata...era por ali o caminho.

Quando começou o curso de Shiatsu estava grávida de 3 meses. As aulas eram mesmo perto do escritório e saía muitas vezes a correr para o Instituto de Medicina Tradicional. Senti que podia ser terapeuta de Shiatsu e tracei um plano. 
O plano foi o meu segredo. 
Perdi várias horas a fazer contas, a estudar o calendário, a projetar e a estudar as hipóteses. Percebi que precisava de poupar x dinheiro para sair, que tinha que trabalhar mais 5 meses e uns dias e que queria montar o meu gabinete de Shiatsu numa clínica médica.
Falei com o médico responsável da clínica em vista. A medo e totalmente descrente do sucesso da coisa, esse Dr. garantiu-me o lugar numa sala da clínica que estava abandonada.
Depois de todas essas horas a planear, sabia que tinha que confiar, entregar a Deus, ao planeta, ao cosmos, entregar a tudo e mais alguma coisa. 
Não podia estar sempre a rectificar, a voltar atrás, a pensar no plano porque senão ia ficar maluca, desgastada. Pais, irmão, toda a família e amigos desconheciam completamente o que planeava fazer. Isto porque tremia de medo que me dissuadissem, que me transmitissem os seus receios. Afinal estava grávida e queria deixar a advocacia para fazer massagens (what? Crazy girl!).




Só o meu companheiro acompanhou o processo, mesmo assim, não falávamos muito porque também ele estava com imenso receio por mim, pelo meu futuro.
Marquei uma viagem a Barcelona para o dia seguinte ao que havia estipulado para me despedir. Fi-lo para me obrigar a não ficar mais uns tempos, sabia que me iam pedir isso e que eu tinha que dizer não. 
Quanto mais se aproximava a data estipulada, mais noites havia em que ficava agitada na cama, tanto era o medo. Não podia pensar a mais de 5 dias. Depois de traçar esse plano era viver um dia de cada vez. Concentrei-me e meditei muito em sentir a Clara dentro de mim, conectei-me profundamente com a força e fé que a graça da maternidade nos pode dar. Tive o apoio de uma amiga incrível que, de tempos a tempos me lembrava: acredita, confia, sei que vai dar certo. E eu confiei, acreditei e deu certo!

No dia em que disse ao meu chefe que ia embora, saí feliz do escritório. Tinha conseguido verbalizar de uma forma calma e coerente o que lhe queria dizer. Fui amigável e agradecida. Ao contrário da saída do primeiro escritório (da qual não me orgulho e tenho como aprendizado e lição). Senti um peso enorme sair-me dos ombros. Fui para Barcelona! Foram dos dias mais felizes da minha vida. Eu feliz, todos em pânico!

Descansei muito, tive a Clara, e 3 meses depois criei outro plano para “vender” o meu produto. Na altura, apenas o shiatsu! Criei um blog entre mamadas. Investiguei outros blogs e sites sobre terapias e imaginei que teria que haver uma estratégia.
Criei uma página de facebook, uma imagem, uma marca. 
Fui muito inspirada por uma amiga e também paciente que, curiosamente, também tinha tido uma menina da idade da Clara, e que decidiu aproveitar a licença de maternidade para criar uma marca de roupa de bebés. A Ma Petite Princesse e as longas conversas com a criadora, a Ana, foram mesmo importantes para perceber alguma coisa de marketing e publicidade. A Ana, como profissional de comunicação, continua a ser um exemplo e, mais recentemente, ficou responsável pelo lançamento da minha nova imagem e fase profissional.



O primeiro post do blog foi sobre a mudança de vida e atingiu muitas visualizações e interesse por parte das pessoas. 
Na semana que ia começar a fazer terapias, tinha 20 euros na carteira, nada mais. Comecei do zero. Mesmo! Por sorte, destino ou karma, desde a primeira semana tive pacientes. Tive uma que foi mesmo especial porque se apaixonou por mim e pelo meu trabalho. Espalhou aos 7 ventos o Shiatsu e, ainda hoje, 2 anos depois, chegam pessoas a quem essa querida falou. 

Um ano depois, surgiu o interesse por desenvolver mais a ajuda aos meus pacientes através do yoga e meditação. E surge assim a marca Bárbara Couto que, em alguns dias, está aí. Agora como Shiatsu, yoga e meditação. 
A minha vida é substancialmente diferente. Faço a gestão do meu horário, consigo estar com a minha filha. Trabalho na mesma imenso, mas com gozo – e isso faz toda a diferença. Chego a casa com um sorriso nos lábios e o cansaço é quase nenhum. 

Entretanto, também presto assistência à minha professora de yoga (que foi minha formadora), quer nas aulas de yoga quer na organização de eventos e workshops com os mais diversos temas. Este recente trabalho dá-me uma satisfação enorme pois estimula a minha faceta comunicativa e criativa. 

Só sinto a falta do ordenado certo ao fim do mês. Não saber o que vai acontecer na próxima semana, se vou ter terapias, aulas ou cursos suficientes para pagar as minhas contas é das coisas que ainda não tenho totalmente resolvidas, mas estou muito melhor!

Mais uma vez, e para controlar esse receio que, meia volta aparece, medito e pratico para confiar que vai correr tudo bem desde que faça o meu trabalho honestamente, medito e pratico para viver um dia de cada vez, sem demasiadas expectativas e com imensa certeza que darei sempre o meu melhor e que a mudança é uma constante da vida. 
Aceito o desafio que é viver sem tantas certezas! 

Sair da própria cabeça...

Eu tenho esta tendência para o dramático.
Desenvolvida sem dúvida, depois de uma paixão assolapada, que durou anos, por cinema, com duas e três idas semanais às salas escurinhas, para ver - muitas vezes mais do que uma vez - um filme qualquer, sem grande discriminação.
Deve ser com certeza, o primeiro e mais importante factor de desenvolvimento desta minha tendência para o drama. Com certeza que haverá outros elementos hereditários à mistura, mas esses são para o sofá do psicanalista.



Ora esta minha tendência para o drama manifesta-se diáriamente. Sempre que alguma coisa não corre como esperado - ou mesmo que corra - o cérebro entra em modo piloto automático e lá vai ele, fazer o seu filme, normalmente bolywoodesco.

A amiga atrasa-se uns minutos e começa logo o rol de justificações alternativas ao motivo pelo qual está atrasada: presa no trânsito > teve um acidente > já não gosta mais de mim > morreu alguém na família > foi raptada pela máfia colômbiana.

Sim, os filmes não têm propriamente que fazer sentido, nem que ter justificação lógica (se bem que a máfia colômbiana pode perfeitamente vir passar umas férias à termas do Gerês ou vir explorar novos mercados na noite do Porto, tão em voga internacionalmente).

Não me respondem ao e-mail: não o receberam > receberam mas desataram-se a rir > acharam o e-mail rídiculo > já não gostam mais de mim > vou ser proibida pelo Alto Conselho da WWW de enviar e-mails

Naturalmente, mais cedo ou mais tarde, lá vem a explicação lógica e natural para o caso e o filme cai por terra - graças aos santos - e eu lá fico mais aliviada. A amiga atrasou-se porque sim. A resposta ao e-mail demorou porque as pessoas têm outras coisas para fazer.

Isto tudo para dizer que às vezes é preciso sair de dentro da nossa cabeça onde estas curtas ou longas metragens acontecem, e vir cá fora respirar o ar puro, ouvir os passarinhos e cheiras as flores.


Há mil e uma maneiras de se sair da nossa cabeça. Há cerca de 478,000,000 resultados no Google.
As sugestões vão desde dançar, meditar, fazer e receber massagens, a deixar de tentar impressionar o mundo, encontrar um propósito ou ajudar outra pessoa.

Eu cá vou de férias :)
Até prá semana!

A Decoração e o Auto-Conhecimento

Eu nem me importo de esperar nos consultórios, desde que haja revistas.
A escolha das magazines em cima da mesa da sala de espera, permite ter uma ideia de quem frequenta aquele espaço e de quem o abastece com material de leitura.
A espera antes da consulta, é uma excelente oportunidade de recuperar as leituras em atraso da Maria, Nova Gente, Cosmopolitan e outros mananciais informativos nacionais.

Mas há salas de espera e salas de espera.
No outro dia, num destes momentos de espera/leitura veio parar-me às mãos uma Psychologies espanhola, com um destaque na capa sobre decoração.

Confesso que à primeira me foi um bocadinho difícil fazer a ligação entre Psicologia e Decoração, mas este dossier especial, falava muito sobre a casa/lar:

  • o que procuramos nela;
  • o que encontramos;
  • como podemos torná-la mais confortável
Havia uma imagem, com um pequeno destaque no canto, que me chamou a atenção (perdão pela foto, mas nem o telefone, nem a luz da sala, nem a posição ajudaram...)

"O modo como organizamos e decoramos a nossa casa, é o reflexo fiel de como vivemos a vida"

Veio-me logo à ideia a tendência que tenho, e que me dizem vir da minha avó materna, de andar sempre a mudar a casa (ou a fazer planos para isso: E se o escritório passasse para o quarto e o quarto para o escritório?)

Uma das grandes dificuldades que a auto-análise tem, é precisamente a dificuldade de sermos objectivos connosco próprios. Porque somos muitos complicados complexos, porque conseguimos justificar o sim e o não para cada caso, porque a vida dos outros é que é fácil de analisar, catalogar e resolver.

Ora esta perpectiva de podermos olhar para algo tão objectivo e palpável como seja a decoração e organização da nossa casa e daí retirarmos ilações sobre como estamos a viver a nossa vida, parece-me uma pequena ajuda para superar a falta de objectividade na auto-análise.

É claro que também nos pode encher de um nervoso miudinho da próxima vez que passarmos a ombreira da porta, como se para qualquer canto que olhemos uma revelção assustadora nos salte à consciência...!

Então e como é a minha casa/vida?
Precisa de uma análise mais aprofundada, mas assim à primeira:
  • é vintage restaurada, com um charme muito próprio
  • cheia de luz e pêlo de cão
  • com muita cor (há uma divisão que tem uma parede de cada cor)
  • desarrumada
  • a precisar de uns pequenos grandes ajustes para ficar mais apresentável
  • cheia de orquídeas e almofadas (ou seja, exótica e confortável, claro!)
  • sempre em estado de potencial mudança
  • onde não cabe toda a gente da minha vida, mas com potencial para se arranjar espaço
  • muito fotogénica :)






E a tua, como é?

Desmeditar

A Meditação, o Zen, o Neo- Espiritual estão na moda
Mesmo que não estivessem, o trabalho da marca pessoal para também por um conhecimento profundo de si próprio, que pode ser alcançado através de vários meios - cada um sabe o que funciona para si - incluindo estes.
Mais ainda, como já tinha anunciado há uns tempos atrás, este é, para mim, o ano ZEN, de tentar despreocupar e destressar, estando mais presente no momento de agora e menos preocupada com o que vai acontecer amanhã ou a remoer o que aconteceu ontem.



Neste sentido, ando a tentar meditar.
O que me stressa infinitamente.
Primeiro, porque acho que a solução para todos os meus problemas, passaria pela disciplina de me sentar 20 minutos, todos os dias no mesmo local, e meditar (seja lá isso o que for).
Depois, porque falho diariamente na prossecução desse objectivo.
E diariamente me "dou na cabeça" por não ter conseguido, mais uma vez, fazer aquilo que é "A solução para todos os meus problemas".

Eis se não quando surge um curso de meditação, anunciado pela minha professora de Yoga, com o seu Mestre brasileiro.
Inscrevo-me e no dia e hora marcados, estou lá, preparada para um dia de Ohms e Ahms sonoros e alterações interiores.

A primeira coisa boa que aconteceu, foi que, numa plateia de cerca de 50 pessoas, todos partilham deste mal de não conseguir parar para meditar. É tão bom saber que não estamos sozinhos...!

A segunda coisa boa/surpreendente foi que o Mestre mais que um yogi barbudo e tranquilo que nos guiaria em meditações previsíveis, era um provocador que, em vez de explicar verbalmente, nos fazia sentir o que tentava explicar. E continuou a provocar até ao fim (tenho a certeza que houve gente que pensou em não aparecer de tarde...)

A terceira coisa boa, foi que a mensagem principal do curso surgiu como que uma resposta às minhas preces. Parafraseando o Mestre, eis a moral da história:

- a malta já é neurótica o suficiente, sem ter que acrescentar a neurose diária do "eu tenho que meditar, eu tenho que meditar, eu tenho que meditar";

- a meditação é um estado e não um processo, e como tal não se ensina, porque não pode ser ensinada, da mesma forma que não se pode ensinar alguém a amar;

- o caminho para este estado deve ser percorrido diariamente, nos diferentes momentos do dia, sem que para isso tenhamos que nos sentar num cantinho tranquilo com velas e incenso a queimar. É apenas necessário: prestar atenção à respiração + tentar não criticar

E isto, que parece tão simples, é simplesmente tão complicado.
Imagino que quando dominar estes talentos complicados (atenção à respiração e não criticar) que outros níveis se abram e outros desafios se apresentem. Mas até lá o caminho é longo.

Por isso, a todos vocês que querem meditar e relaxar e entrar em modo Zen, aqui ficam estes conselhos para primeiro Desmeditar, remover todas as ideias pré concebidas e indutoras de neuroses, para depois começar a caminha na direcção certa.

Boa viagem!

Personal Sound System Guy

Ontem cruzei-me com uma criatura que já não via há uns tempos: o homem do personal sound system.
Aqui há uns meses (ou anos? o tempo tem andado meio acelerado ultimamente) atrás, havia muitas destas criaturas no Metro do Porto. Principalmente adolescentes, com os seus super telemóveis, a difundir as suas questionáveis escolhas musicais por toda a carruagem.
"Quem não gosta, que mude de lugar" imagino que fosse a lógica.



Como entretanto deixei o Metro, deixei de ver estas criaturas musicais.
Até que eis se não quando, ontem, a caminho do ginásio me cruzo com mais um destes espécimes sonoros. Este já devia ter sido adolescente há umas valentes décadas atrás, vinha meio curvado pela rua fora, com a pele bronzeada, mais provavelmente de dias de trabalho ao ar livre do que de tempo passado na praia, e com o seu super sistema de som a passar uma musiquinha brasileiro-pimba para todos os que se cruzassem com ele ouvir.

Ora, nestas andanças das marcas pessoais e nesta época tão propícia a epifanias, fez-se luz neste meu cérebro: poderia este se eventualmente, mais um excelente elemento do kit da marca pessoal?
Porque não expressar quem somos, quem queremos ser, com uma pequena banda sonora partilhada?
E se em vez de ser considerado "pimba", esta fosse uma prática bem aceite por esta sociedade que nos rodeia?
Será que ao passarmos pela Boavista em hora de entrada nos escritórios, nos deparariamos com uma maravilhosa cacofonia musical, escolhida e composta pelos auditores/juristas/analistas de dados que por ali trabalham?
Será que diferentes zonas da cidade teriam diferentes estilos musicais?
Seria possível que todos os sons de uma determinada área criassem uma atmosfera musical própria?
Enfim, estou a filosofar...

Mas só mais uma pergunta: nesta realidade alternativa, qual seria a tua banda sonora de eleição?

Ser artista e vender: conselhos

Somos todos artistas, não?
Poética e metaforicamente, quanto mais não seja, gosto de imaginar que sim.
Que todos temos uma veia artística que nos leva a criar "coisas" bonitas, úteis, agradáveis, que fazem os outros pensar, desconfortáveis, com propósito.
Mantendo o modo poético, gosto também de pensar que esta veia artística não se limita a pintar, escrever, esculpir ou compor.
Gosto do conceito de arte em sentido alargado àquilo que é feito com paixão e intenção de melhorar, ajudar ou provocar, seja uma escultura ou um bolo de cenoura.

Esta epifania veio ao consultar um artigo no site deste senhor - Jonathan Fields, mentor do Good Life Project.

Uma das últimas entrevistas que ele realizou foi precisamente com uma artista de São Francisco que tem uma preocupação genuína: ajudar os artistas a descobrir formas de ganhar dinheiro com a sua arte.

Parece que todos temos que comer e andar vestidos e os deuses da inspiração, por si só, não conseguem colmatar todas as necessidades humanas.
Daí a quase obrigação que os artistas têm (ou precisam de ter) em tornar a sua expressão artística em algo rentável/sustentável.

Aqui ficam alguns dos conselhos desta senhora - Lisa Congdon, também ela artista - expressos no seu livro "Art, Inc." (tradução livre e nada influenciada: Arte, Marca Registada).



Como todos somos artistas, creio que estes conselhos se podem aplicar à vida de todos nós artistas-profissionais-freelancers-contabilistas-fotógrafos-psicólogos-designers-..., ou seja, todos os que precisamos de uns pingos de criatividade para colorir este dia-a-dia:

1. Descobre a tua Voz
A Voz do artista é uma mistura de mensagem, estilo e técnica e é a sua oportunidade de marcar o Mundo.
Todos temos diferentes formas de encontrar a nossa Voz. 
Infelizmente não é nada que se possa aprender lendo um livro ou frequentando um workshop.
Pode ser uma descoberta que demora uma vida, um processo contínuo de descoberta e reinvenção, que se vai alterando ao longo do tempo.

2. Cria Arte para Ti Próprio
Há uma noção errada de que existe uma "maneira correcta" de pintar um quadro, tirar uma fotografia, escrever um artigo... de que existe um modelo e processo correctos que devem ser seguidos por todos.
É bastante libertador começar a produzir trabalhos que reflectem a tua própria identidade e estética e não a identidade do teu mestre ou colegas.

3. Arrisca
Pode parecer assustador, mas fazer algo de diferente (por muito pequena que seja essa diferença) pode abrir novas avenidas para o teu trabalho. Usa cores diferentes, muda de estilo narrativo, ...
O resultado destes riscos será o que vai diferenciar o teu trabalho.


4. Ultrapassa as Dificuldades
A famosa "curva de aprendizagem" existe para todas as áreas e se tivermos a sorte de andar constantemente a aprender, então é melhor que nos habituemos a surfar essa onda.
Ultrapassar as dificuldades ajuda ao aperfeiçoamento da técnica e à descoberta da própria voz.

5. Descobre o que te Inspira
A inspiração nem sempre aparece do nada.
Às vezes é preciso ir à procura dela! 
E a inspiração normalmente está escondida nas coisas que gostamos de fazer, mesmo que não tenham nada a ver com o nosso trabalho "artístico".
Para ultrapassar as ansiedades e ajudar a descobrir o que impulsiona o teu interesse ajuda andar de diário no bolso: algo portátil, fácil de carregar de um lado para o outro, onde podes escrever, desenhar tudo o que te apeteça/mexa contigo/te inspire.
Mais uma vez, a forma não é importante: não interessa se tem linhas, se é quadrículado, se a capa é cor de rosa ou se as folhas têm cheirinho a maçã. Interessa ser usado todos os dias, durante o tempo que tiveres disponível, seja 5 minutos ou 1 hora.

6. Faz uma Pausa da Internet - a minha preferida!
São tantas as distrações e é tão fácil o acesso.
É um excelente sítio para divulgar e vender trabalho, mas também pode levar a que nos comparemos em exagero com outros artistas.
Despertamos o crítico dentro do cérebro e lá se vai a produção e a auto-confiança.
Também acho que podemos encontrar inspiração na internet, mas procurá-la fora da web é tão mais interessante...!

7. Separa-te do trabalho de outros Artistas
Para esculpir a tua Voz Artística é preciso que te afastes do que achas que é um "trabalho de sucesso".
Sem esta separação, corre-se o risco de copiar em vez de criar algo que seja genuinamente novo e nosso.
Mais uma vez: desliga a internet. É fácil ser apanhado no burburinho das redes sociais e expectativas e influências exteriores.
De vez em quando, desliga e ouve o teu guia interior.
Passa a conhecer o teu âmago, o que te inspira e impulsiona a tua criatividade.

Bom trabalho!
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